quarta-feira, 3 de junho de 2015

Conservatório Musical do Butantã 30 anos!!!

Conservatório Musical do Butantã 30 anos!!!

Conservatório Musical do Butantã
Olá amigos!

Recentemente o Conservatório Musical do Butantã completou 30 anos de existência! Um feito, num país onde a economia, através dos anos, nunca foi uma aliada importante do empreendedorismo e das iniciativas na área educacional que, por outro lado, se tornam cada vez mais raras.     

E para falar um pouco sobre a trajetória do Conservatório, sobre educação musical e suas conquistas durante este período, o Poética Musical, Violão e Arte teve o prazer em receber para uma conversa a Pianista, Psicóloga, Pedagoga e Diretora Pedagógica Mônica Ajej!!!


Poética Musical: - Mônica, primeiramente, o Poética gostaria de agradecê-la pela oportunidade desta conversa que você concedeu ao blog e também parabenizá-la pelos 30 anos de Conservatório Musical do Butantã.


Mônica: - É um prazer poder falar sobre a Educação Musical em tempos tão difíceis como os de hoje.


Poética Musical: - Gostaríamos que você nos contasse um pouco como foi o início do Conservatório, o que a impulsionou a criá-lo e, consequentemente, entrar na área da educação musical?


Mônica Ajej
Mônica: - Sempre me identifiquei muito com a docência e, desde cedo, dava aulas de piano em minha casa. Como o número de alunos foi crescendo senti a necessidade de ter um lugar só para lecionar e, assim, poder atender com mais eficácia os meus alunos. Aluguei um imóvel no Jardim Bonfiglioli no ano de 1983 e passei a dar aulas juntamente com um amigo que dava aulas de violão. Com o tempo senti a necessidade de oferecer outros cursos, e, aos poucos introduzimos o órgão (que era muito comum na época), guitarra, baixo, bateria, teclado, entre outros. Hoje o Conservatório oferece mais de vinte cursos diferentes. Por volta dos anos 90 comecei a me interessar por aula de musicalização e participei de cursos com renomados pedagogos musicais do país. Aliei o meu conhecimento musical com as minhas formações em pedagogia e, principalmente psicologia e hoje a musicalização é o carro chefe do conservatório. Também nos anos 90 o Conservatório teve seus cursos de instrumentos musicais oficializados pelo MEC e passou a emitir diploma de nível técnico profissionalizante. 


Poética Musical: - Na sua visão, qual o segredo para que uma instituição de educação musical tenha o sucesso de estar tanto tempo oferecendo seus serviços na área do ensino?


Mônica: - Primeiro é a dedicação e empenho da direção e professores. Procuramos oferecer o melhor conteúdo para que o aluno se sinta motivado e interessado em participar das aulas práticas e teóricas.

Em segundo lugar estamos sempre renovando nossos equipamentos e procurando trazer para o aluno o que há de mais moderno no mercado musical.

E em terceiro lugar é o carinho com que recebemos nossos alunos no Conservatório. Procuramos ter um ambiente agradável, acolhedor e familiar. Conhecemos cada aluno e sua família e isto gera confiança de ambas as partes.

Poética Musical: - Pensando na sua vivência de empreendedorismo no ensino musical, qual o maior ou maiores desafios que você qualifica como o mais, ou, os mais importantes para manter uma educação de qualidade?


Mônica: - Manter professores qualificados no quadro de docentes da escola.

Remunerar os profissionais de forma justa para valorizar o seu trabalho.

Conscientizar os professores que é importante se reciclar sempre. Os alunos gostam de saber que seus professores estão fazendo cursos, tocando profissionalmente ou participando de eventos musicais.


Poética Musical: - Conte-nos um pouco sobre como você vê a atual educação musical em nosso país, seus pontos negativos e positivos.


Mônica: - Quando foi aprovada a volta da música nas escolas em 18 de agosto de 2008 com a Lei Nº 11.769 pensávamos que seria a salvação para o ensino musical. Mas, na realidade, com o passar dos anos vimos que não foi bem assim. Não há professores suficientes com formação musical para suprir todas as escolas do Brasil. Em muitos casos, a música é dada pelo professor de artes que não tem a formação necessária para desenvolver um trabalho de real importância. Em muitas escolas, a música é deixada de lado e a ênfase recai sobre as artes plásticas, pintura e teatro. Sendo assim, o ensino musical continua sendo dado pelos Conservatórios, que são pouco valorizados no Brasil, mas que tem um papel importantíssimo na formação do músico brasileiro. Apesar de tudo, vejo mais pontos positivos do que negativos, porque conheço muita gente que está fazendo um trabalho sério, como é o nosso caso aqui no Butantã.     


Poética Musical: - Durante esses 30 anos você vem fazendo um importante trabalho de musicalização infantil em seu Conservatório. Conte-nos um pouco sobre ele. 


Mônica: - Pesquisas mostram a importância da música na formação da criança, entre elas a concentração, atenção, disciplina, raciocínio matemático, coordenação motora, sociabilidade e, principalmente, equilíbrio emocional. A aula de musicalização proporciona a criança toda esta vivência,
Conservatório Musical do Butantã
além de despertar o interesse dela para ser um instrumentista ou um apreciador musical. No caso da criança muito pequena, a aula de musicalização, além de ser divertida, desenvolve a habilidade da criança perceber as propriedades do som como: duração, intensidade, altura e timbre. Como iniciamos a musicalização bem cedo, trabalho com bebês a partir de oito meses, é visível o desenvolvimento deles durante as aulas. Cantamos muito durante a aula e a sequência da melodia, da letra e do ritmo fazem com que a criança pense, elabore suas ideias e se reorganize enquanto está cantando. Mesmo as crianças pequenas que ainda não falam, ao ouvirem a melodia cantada pelo professor ou seus colegas executam as expressões corporais que acompanham a música. Ou seja, embora ainda não saibam falar elas acompanham a sequência da letra, melodia e ritmo dentro de si. 


Poética Musical: - Pra você, qual a importância em iniciar-se desde cedo nos estudos musicais, e qual a idade recomendada?


Mônica: - Na minha opinião, quanto mais cedo mais fácil de desenvolver as habilidades musicais. É lógico que a aula para crianças pequenas é diferente da aula de uma criança alfabetizada. Na verdade o ensino musical deve ser como o ensino da língua, primeiro aprende a falar para depois escrever. No caso da música, primeiro vivencia os elementos musicais para depois ir para o instrumento e a escrita musical. Tudo tem que ser feito de uma forma bem natural. Deixar que cada criança se desenvolva no seu tempo e o professor deve estar atento para as diferenças individuais e amadurecimento de cada criança.


Poética Musical: - Muitas vezes, o idoso, ou mesmo um adulto pode se mostrar desencorajado em iniciar-se no estudo de algum instrumento, acreditando, muitas vezes, que não tem mais idade para aprender. A história e o dia a dia têm revelado desfechos lindíssimos sobre esta questão. Gostaria que você falasse sobre os benefícios que o aprendizado musical pode proporcionar para aqueles que começam mais tardiamente os estudos!


Mônica: - É muito gratificante trabalhar com o adulto. Primeiro porque ele vem para a aula motivado, tem tempo para se dedicar
aos estudos em casa e, principalmente, se diverte nas aulas. Hoje em dia os adultos, principalmente os aposentados, dedicam mais tempo para aquilo que lhes dá prazer. A música tem sido a escolha de muitos deles. É inegável o benefício que a música traz para o idoso. O estudo musical desenvolve o raciocínio, a concentração, a memória, a destreza manual, entre outros. Nunca é tarde para começar a fazer aquilo que lhe dá prazer.


Poética Musical: - Além do ensino musical, na musicalização infantil, no canto, ou mesmo no ensino técnico de algum instrumento, quais outras qualificações o Conservatório acredita que sejam importantes para a formação final do aluno?


Mônica: - Além do aluno ter que ser um bom instrumenta ou cantor, ele precisa saber lidar com as emoções humanas. A música, seja ela erudita ou popular, toca fundo na alma das pessoas e o músico deve ter a sensibilidade de fazer uso desta característica sempre visando o bem do próximo. Aqui no conservatório nós enfatizamos o quanto a música é poderosa e o quanto ela pode ser usada em benefício do outro, seja em hospitais, asilos, orfanatos, instituições de crianças com câncer, etc. É lógico que a formação acadêmica para ser um concertista ou docente é muito importante, mas a parte humana também é.


Poética Musical: - Mônica, além da sua formação musical, de que maneira a sua formação, também nas áreas de Psicologia e Pedagogia se integram na formatação do currículo pedagógico do Conservatório, no contexto da inclusão educacional e na sua vivência diária no ensino musical?


Mônica: - As três áreas são muito importantes: música, pedagogia e psicologia. Eu procuro aliar as três ao meu cotidiano como diretora e professora. Seja ao lidar com o corpo docente, com os pais, com as crianças em sala de aula ou mesmo com crianças com necessidades especiais. A minha formação nestas três áreas me possibilita desenvolver um trabalho onde eu consigo, na maioria das vezes, chegar ao resultado esperado. Tenho plena consciência de como lidar com as diferenças individuais, com as necessidades de cada um e como fazer da escola um ambiente acolhedor, confiável e aconchegante para os alunos.


Poética Musical: - Nesses 30 anos de Conservatório, existe algum sonho, projeto ou algo que você gostaria de ter incorporado no ensino musical e que ainda está nos planos de criar futuramente?


Mônica: - Sempre penso em alçar vôos maiores, como montar uma pequena orquestra,  mas não é fácil. Para isso preciso de tempo, engajamento do corpo docente e ajuda de patrocinadores. Também gostaria de poder oferecer aulas de musicalização para um número maior de crianças. De certo modo já fazemos isto oferecendo bolsa integral para todos os irmãos de alunos menores de 8 anos.


Poética Musical: - Mônica, qual o significado da música em sua vida e o que ela proporcionou de positivo a você durante todos esses anos de docência? 


Mônica: - A música faz parte do meu dia a dia de segunda a segunda. Durante a semana dando aula e nos finais de semana escutando as minhas músicas favoritas ou pesquisando novo repertório para usar em aula. Ela me proporcionou muitas alegrias durante todos esses anos: alunos que estão trabalhando e vivendo da música, alunos que são filhos de ex-alunos, ver o desenvolvimento dos bebês, tudo isto é muito gratificante. 


Poética Musical: - Nestes 30 anos de ensino, o Conservatório vem preparando seus alunos para o ingresso em Universidades e importantes centros musicais de ensino, ou mesmo para o mercado musical. Qual o seu sentimento em relação a esta contribuição e, de que maneira o Conservatório busca se atualizar sobre as exigências no dia a dia da educação musical, preparando-se cada vez mais para esta questão?  


Mônica: - Fico muito feliz em saber que o Conservatório contribuiu na formação de muitas pessoas que já passaram pelo ensino universitário ou que ainda pretendem fazê-lo. O Conservatório procura sempre ter professores de alto nível, com metodologia moderna e capacitados para formarem alunos que possam competir no mundo musical.     


Poética Musical: - Para finalizar, gostaríamos que você deixasse uma mensagem para os pais, para os alunos do Conservatório e também para as pessoas que estão pensando em iniciar os estudos musicais!


Mônica: - Aos pais e alunos agradeço a confiança depositada no nosso trabalho e tenham a certeza que fazemos com amor e dedicação. A você que deseja iniciar os estudos musicais eu digo para não desistir nunca dos seus sonhos. A música só vai enriquecer a sua vida, então tome coragem e venha aprender um instrumento ou cantar.


Poética Musical: - Mônica, mais uma vez o Poética Parabeniza o Conservatório Musical do Butantã pelos seus 30 anos de conquistas e agradece a sua participação e a nossa conversa! Sucesso cada vez mais, e que venham mais 30 anos!!!


Mônica: - Agradeço a oportunidade de falar sobre o Conservatório e sobre a educação musical. Sim, e que venham mais 30 anos.



Poética Musical, Violão e Arte Entrevista.

sábado, 23 de maio de 2015

Poética Musical, Violão e Arte Entrevista!!!

Poética Musical, Violão e Arte Entrevista!!!


Olá amigos!


Aguardem! Em breve...








 Poética Musical, Violão e Arte Entrevista!!!





Poética Musical, Violão e Arte Entrevista...

domingo, 3 de maio de 2015

Um ciclo a mais...

Um ciclo a mais...

Mais um ciclo se completa, após 4 anos de graduação!

É um momento de reflexão, de pesar na balança todo um período de aprendizado, de descobertas e questionamentos. Não é somente um período de conclusão, mas de abertura, para que novos desafios e novos aprendizados se apresentem como novas oportunidades para a aquisição de tantos outros conhecimentos!

Continuo com o entendimento, antes, durante e após a graduação, que a educação está, ainda, muito além de conceitos teóricos e de reflexões prontas. Não estou descartando aqui, com este pensamento, toda a produção cultural, historicamente construída em séculos, seja filosoficamente, na sociologia ou mesmo no desenvolvimento da educação através da sua história.

Em sua histórica trajetória, tivemos uma educação deturpada, atendendo os principais anseios políticos de sua época, não disposta a mudanças e não aberta a transformações e ao diálogo, preferindo, na maioria das vezes, um pensamento estático, ao abraçar conceitos meramente tradicionais.  

Atualmente, mesmo com o discurso “inovador”, de “reflexão”, de “democracia”, de “igualdade”, e mesmo com a tentativa de se desvencilhar de uma educação tradicional, a prática de nossas instituições se mostra totalmente contrária ao ilusório discurso político, que, por sua vez, exalta a necessidade de “mudanças”, do “diálogo” com a sociedade e de uma “pedagogia mais reflexiva” para a construção de uma “nova concepção educacional”.

As nossas instituições de ensino regular e, por consequência, a nossa atual educação são frutos de um pensamento político que se entranhou no desenvolvimento da prática educacional através de anos a fio, e que nada se aproximou dos anseios e necessidades das sociedades! Para a contribuição deste atual cenário, o investimento do aparelhamento educacional nas escolas, em termos de material humano, do material pedagógico e de metodologias que atendam o público necessitado de crescimento intelectual, espiritual e cientifico, nunca foi uma prioridade para os governantes que, em tese, deveriam ser os atores responsáveis por um investimento real em uma educação de qualidade e transformadora para o nosso país!

Nossa atual educação é dualista, excludente, assim como era e tem sido através dos séculos. De um lado, uma educação privada, frequentada por uma pequena parcela  da população abastada economicamente e, também, por uma outra parcela com alguma condição, muitas vezes, as duras penas, de patrocinar o próprio desenvolvimento educacional e de seus filhos. Do outro lado, uma educação pública depauperada, abandonada e moldada de acordo com os interesses de uma política não comprometida com o crescimento e com o desenvolvimento da sua sociedade, em sua maioria, as margens de um sistema político viciado em suas práticas “cordiais” - (evocando aqui Sérgio B. de Holanda) – sistema este responsável pelo esvanecimento dos setores públicos estratégicos para o nosso sistema educacional.

Queiramos ou não, quando escolhemos estes atores de forma inconsciente e despreocupada, acabamos todos como espectadores desta realidade, que em nada contribui para o desenvolvimento intelectual do nosso país! 

Bom, ao decidir relatar os 4 anos da minha graduação, pensava, naturalmente, contar sobre os meus encontros e desencontros, minhas alegrias e angustias durante esta trajetória. Mas, quando me dei conta, eu já estava falando sobre educação! Claro, para quem vive o dia a dia do ensino, após finalizar uma graduação, é praticamente impossível não realizar um balanço sobre a educação em nosso país, mesmo que brevemente.

Não, não é um momento para festa, mas para uma profunda reflexão sobre todo o aprendizado, e, de que forma podemos contribuir para uma real mudança, uma reformulação de fato em nossa educação, que possa romper verdadeiramente com este pensamento político estático, enraizado durante anos, que contribui diretamente para a inércia do desenvolvimento educacional como um todo em nossa sociedade!

Não, neste final não citarei algum pensador sobre a educação. Muito menos Piaget ou Rousseau, muito menos Aristóteles ou Durkheim, muito menos Dewey ou Morin, muito menos Freire ou Foucault. Apenas o silêncio, o dos inocentes. Mas, quais?

Por favor, uma pausa. Uma música para a transposição. O momento é dissonante, mas não de entrega!



Escrito por Marcello Tibiriçá.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Violão e Arte: Dica de Leitura!!!

Violão e Arte: Dica de Leitura!!!

Olá amigos!

Hoje eu trago pra vocês uma dica de leitura!

O livro Violão Ibérico, do jornalista espanhol Carlos Galilea, é uma leitura imprescindível para os amantes do violão e uma ótima leitura para aqueles que desejam conhecer mais sobre o instrumento!

O livro apresenta com riqueza de detalhes toda a trajetória do instrumento, com todas as suas peculiaridades e evolução, da Península Ibérica até o Brasil, com mais de 500 anos de história e curiosidades.

Grandes personalidades do cenário violonístico do passado e da atualidade, responsáveis pelo desenvolvimento do instrumento, são mostrados pelo autor de forma descontraída, com entrevistas, acontecimentos, através de um material rico em detalhes e informações.

Vale a pena a leitura! Para ler sem pressa e curtir passo a passo toda trajetória deste maravilhoso instrumento!

“Muito antes do surgimento do choro e da forma chorada de tocar, o violão já era um instrumento popular que acumulava uma grande participação em todo tipo de música feita fora das elites. Estava sempre presente no acompanhamento das serenatas, dos lundus, das cançonetas, nas música dos barbeiros.”  (Henrique Cazes – livro Violão Ibérico – capítulo 9).


Postado por Marcello Tibiriçá.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Violão e Arte: Abertura do Movimento Violão Sinfônico 2015!!!

Violão e Arte: Abertura do Movimento Violão Sinfônico 2015!!!

Olá amigos!

Na quarta-feira, dia 11 de março, presenciei a abertura do Movimento Violão Sinfônico 2015, ocorrido no Sesc Vila Mariana, onde a Violonista e Professora da Unesp Gisela Nogueira foi a solista convidada, interpretando o Concerto para violão e pequena orquestra, que o Compositor, instrumentista e Professor Achille Guido Picchi escreveu em sua homenagem. 

Acompanhada pela Orquestra Metropolitana, regida pelo Maestro Rodrigo Vitta, a noite a qual a solista foi homenageada com o Concerto escrito pelo seu professor, também rendeu homenagens aos compositores com suas obras inéditas para orquestra e violão.

Gisela Nogueira é Mestre pelo Royal Northern College of Music, e vem desenvolvendo já algum tempo uma pesquisa na área de Cordas Dedilhadas e Performance. A violonista também é especializada na técnica do instrumento Viola de Arame, tendo participado da documentação fonográfica da música brasileira dos séculos XVIII e XIX.

Na primeira parte do Concerto, a musicista interpretou um repertório do período Barroco, escrito para cordas dedilhadas, sendo as duas primeiras peças dos compositores Johannes Hieronymus Kapsberger e Antonio de Santa Cruz respectivamente. Aqui, com sua viola de arame, Gisela nos presenteou com uma interpretação rica em sutilezas, ornamentações e rasgueados característicos da época para o instrumento. Uma linda sonoridade, com um brilho e coloridos foram propagados pela concertista e sua viola de arame, resgatando uma época histórica, onde a música marcava o seu encontro com plateias exigentes e especializadas. 

Ao lado da também convidada, harpista e musicista Silvia Ricardino, o concerto de Gisela Nogueira, agora com a grata surpresa de uma formação em duo de viola de arame e harpa celta, segue com a riqueza de repertório dos compositores Santiago de Murcia, Gaspar Sanz e Silvius Leopold Weiss.

“Era muito comum no período Barroco a formação musical de Harpas com outros instrumentos de cordas dedilhadas” - nos contou a solista – e, desta forma, presenciamos a atmosfera musical desta época, com todo o brilhantismo e musicalidade expressados pelas musicistas!

A segunda parte do Concerto se inicia com a Orquestra Metropolitana interpretando Paisagens Brasileiras nº5 – Rio São Francisco – do Maestro, Compositor e Pianista Rodrigo Vitta, escrito especialmente para a Abertura do Movimento Violão Sinfônico 2015. A composição é inspirada no motivo temático do Concerto Aranjuez, do compositor espanhol Joachim Rodrigo. Uma belíssima obra, com uma orquestração lindíssima, onde o romantismo, aliado aos coloridos sonoros e às variadas tessituras fazem uma alusão à natureza brasileira. 

Fechando o primeiro concerto da temporada do Movimento Violão Sinfônico 2015, que tem como diretor artístico o violonista e mentor do projeto Paulo Martelli, a Solista Gisela Nogueira retorna ao palco para interpretar o Concertino para violão e pequena orquestra, do compositor, instrumentista e professor Achille Guido Picchi. Possuindo apenas um movimento, o Concerto visa ressaltar o virtuosismo do instrumento, através de uma linha melódica diferenciada. 

Desta forma, dentro de uma estética universal, o Concertino para violão e pequena orquestra não se aproxima de nada que faça referência à música popular ou folclórica, não despertando, assim, quaisquer imagens encontradas no mundo visual. 

Foi uma bela noite de estreias, homenagens, novidades e muito boa música!


Mais sobre Gisela Nogueira:


Mais sobre o movimento violão e próximos concertos:



Escrito por Marcello Tibiriçá.

domingo, 1 de março de 2015

Vestes da madrugada...

Vestes da madrugada...

Porque o espirito que sopra é uma noite que acalanta sobre o quebrantar de todas as vestes...

Onde somente despidos de todas as sensações nos enternecemos da vida...

Quando se é puro avivamento!

Ao romper do dia, ao cantar do ventre
Ao brotar da terra, semear constante...

Porque é lida afora, porque o amor há dentro
Porque a busca é santa e a palavra insiste

Ao dizer calado, ao ouvir sentindo
Porque a fé exala em oração...  pedido...

E se ao tocar marcado, o pulsar resiste
E se ao contar colado, o soprar se abriu...
É que a dança é lenta, e o andar? Retido.
Onde a fala é branda, só olhar contido...

Mas se a alma é santa e o coração recanta
E se o tempo é gente e, se ao voltar...  partiu...

Quero o quebranto das vestes e incertezas despidas
Sou o sopro do ventre, acalanto ao sonhar...
Quero o coração gente, enternecido da vida!
Sou o brotar da semente, avivamento, amar... 

Escrito por Marcello Tibiriçá.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

2 anos de Poética Musical, Violão e Arte!!!

2 anos de Poética Musical, Violão e Arte!!!

Quando decidi criar o Poética Musical, Violão e Arte, foi pensando em proporcionar, além da sala de aula, um novo elo de comunicação com os meus alunos de música!

Neste blog, o espaço dedicado a eles, passou também, de forma natural, a se estender às pessoas que não tem o estudo do violão ou da música no seu dia a dia. 

Por isso, optei em não encher o blog com exercícios e textos teóricos e, diga-se de passagem, que o objetivo do mesmo não são as aulas que exerço nas salas do Conservatório. Também é importante dizer que o Poética não foi idealizado para plateias especializadas no violão ou em música, pois, para este fim, existe um número considerável de blogs e fóruns.

A intenção do Poética Musical é através de uma conversa com os amigos leitores proporcionar conhecimento, arte, história e contribuições do violão como um instrumento que evoluiu através dos séculos, e que hoje se perpetua como um dos instrumentos mais queridos e um dos mais escolhidos pelas pessoas. A comunicação se concretiza de forma sintética, mas, com didática, proporcionando pedagogicamente aos leitores uma aproximação da leitura. 

Além da minha formação musical (que continua infinitamente), optei também por uma formação pedagógica, e hoje, percebo a importância da minha escolha, ao passo que o pensar de forma organizada e o planejamento pedagógico se desvelam de forma clara e natural no meu dia a dia na sala de aula, na estruturação do curso de música e instrumento para cada aluno em particular e nas ideias apresentadas aqui no blog. 

Nestes 2 anos, além dos textos didáticos, voltados para os meus alunos de violão, o leitor também encontrará textos que abordam sobre a educação musical nas escolas do ensino regular, dicas de literatura musical, algumas poesias, eventos, e textos sobre alguns autores importantes para o desenvolvimento do violão.           

A partir de Dezembro de 2014, passei a discorrer sobre as apresentações musicais, recitais e concertos que porventura eu tenha assistido. Em 2015 em diante, espero compartilhar mais sobre os eventos musicais os quais eu venha assistir! 

Cursos, encontros, palestras, workshops e todo o conhecimento atualizado também serão compartilhados!


Obrigado por participar do Poética Musical, Violão e Arte!
Acompanhe e Compartilhe!!!

É isso! Bem-vindo ao Poética Musical, Violão e Arte! 

Obrigado por fazer parte destes 2 anos iniciais do Blog, com a certeza de que estaremos juntos, trocando, participando e compartilhando sobre este universo tão pequeno, mas tão enorme na vontade de realiza-lo!!! 

Parabéns aos amigos leitores, parabéns ao Poética!!! 

Escrito por Marcello Tibiriçá.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Antes das avaliações: planejamento, organização e disciplina!!!

Antes das avaliações: planejamento, organização e disciplina!!!

Olá amigos!


É natural que as avaliações de prática de instrumento ou de canto sejam uma preocupação frequente entre os alunos de Conservatórios e Escolas de Música. Pensando nisso, elaborei alguns procedimentos que, se seguidos de forma disciplinada pelo discente, poderão ser de grande utilidade, possibilitando, desta forma, algum resultado, senão o melhor, ao menos mais satisfatório quanto ao rendimento no dia da avaliação.


Porém, é importante frisar que resultados positivos quanto aos procedimentos só poderão se concretizar se durante o trimestre ou semestre das aulas regulares o aluno seguir um planejamento de estudo, de forma disciplinada e organizada com a orientação do professor!!!

Então, vamos lá!!!


• O planejamento e a organização do estudo diário do instrumento ou de canto devem ocorrer desde o primeiro dia de aula, com a orientação do professor de música.



• É fundamental que o aluno entenda a importância da disciplina em relação aos estudos diários. A melhor forma de se obter bons resultados é o compromisso assumido por ele quanto a este quesito, de forma natural.  



• Sem disciplina não existem resultados satisfatórios, muito menos sucesso.



• Todas as dúvidas surgidas durante as aulas precisam ser sanadas com o professor. Procure não levar dúvidas para casa.



• Durante o estudo diário do instrumento, é imprescindível que o aluno faça uma marcação nos trechos que mais tenha dificuldade, sobre as músicas, estudos ou peças musicais. As marcações precisam ser mostradas ao professor, que, por sua vez, auxiliará em sanar as dificuldades técnicas ou interpretativas. 



• O resultado satisfatório com o repertório musical é a soma dos dias estudados de forma organizada e disciplinada pelo aluno. Portanto, não deixe para a última hora ou véspera da avaliação. Estudar na véspera da aula ou avaliação só causará um desgaste insatisfatório. 



• Procure, na medida do possível, estar bem alimentado e descansado antes de estudar. Não se esqueça de ingerir muita água nos dias de calor para a hidratação. Afinal, tocar um instrumento também requer um esforço físico, além de mental.  



• Se o seu instrumento é da família das cordas, e se houver a necessidade de mudança das mesmas para a avaliação, não deixe para a última hora. Procure trocá-las com duas semanas ou mais de antecedência. Assim, haverá um tempo maior para o ajustamento da tensão das mesmas e, consequentemente, para a manutenção da afinação. 



• Após a decisão do repertório a ser apresentado na avaliação, procure tocá-lo para os familiares e amigos, fazendo assim uma prévia de possíveis situações positivas ou não desejadas. 



• Na semana que antecede a avaliação, foque o estudo somente no repertório e na matéria que apresentará, mantendo o mesmo planejamento de horários, organização e disciplina. Procure realizar a passagem do repertório mentalmente, com todos os movimentos de forma lenta, recordando, desta forma, toda a memória digital apreendida no instrumento.    



• No dia anterior à avaliação não haverá a necessidade de se alongar no estudo prático, já que o aluno, durante o trimestre ou semestre de aulas, seguiu todo o planejamento, organização e disciplina de estudos. Ainda na véspera, evite esforços físicos desnecessários, não se esquecendo de hidratar-se e alimentar-se adequadamente. Neste dia, procure dormir mais cedo do que está acostumado, alongando, assim, o tempo de descanso.



• Por fim, recomendo também a leitura dos textos Violão: Preparação para o Estudo, de Fevereiro de 2013 e, Violão: Concentração no Estudo, de Setembro de 2013. 



É isso!!! Bom semestre de estudos e uma ótima avaliação!!!

Escrito por Marcello Tibiriçá.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Feliz 2015!!!

Peace
FELIZ 2015!!!
  
        Glückliches Neue Jahr

 Godt Nytår

 Feliz Año Nuevo
                                                                             
 Srečno novo leto
           
  Feliĉigan Novan Jaro

Bonne Année
Feliz Aninovo        
Shaná Tová

 Felice Anno Nuovo


明けましておめでとうございます(akemashite omedetou gozaimasu)


 Счастливого Нового Года {Schastlivovo Novovo Goda}


 Честита Нова Година /Chestita Nova Godina/

Gott nytt år

Bon any nou!!

Happy New Year!!!

   FELIZ ANO NOVO!!!  




Obrigado por participar do Poética Musical, Violão e Arte
Acompanhe e compartilhe!!!


Postado por Marcello Tibiriçá.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Dezembro...

Dezembro...

Dezembro desacelerado 
Respirado... 
Alongado...

Momento de abraçar
Meditar...
Refletir...

Escolher e tocar
Para ouvir... 
Se envolver...

É o que lhe faz bem...
E sentir outra vez...

Preparar em silêncio
O agora, o amanhã...
Receber com verdade, aceitando o viver...

Quando a saudade reclama...
E se não voltar mais...
É que o tempo sedento transbordou ao partir...

Mas se o coração pulsa
Vibrando, querendo...
E se estórias existem, e persisto em dizer...

É que as marcas de “lutas”
Que por instantes divergem...
São da vontade que arde em ver, em ficar...

É Dezembro calado e um pouco contido...
É a luz que enobrece 
E cansar quero ser...

É a voz que enternece
E o olhar que procura...
É a prece do leito, do amar e da busca... 

É abraço apertado, do seu jeito contado... 
É Dezembro embrulhado...
É o amor, sou você!!!

(À minha mãezinha Helena, com carinho).

Escrito por Marcello Tibiriçá.