domingo, 3 de maio de 2015

Um ciclo a mais...

Um ciclo a mais...

Mais um ciclo se completa, após 4 anos de graduação!

É um momento de reflexão, de pesar na balança todo um período de aprendizado, de descobertas e questionamentos. Não é somente um período de conclusão, mas de abertura, para que novos desafios e novos aprendizados se apresentem como novas oportunidades para a aquisição de tantos outros conhecimentos!

Continuo com o entendimento, antes, durante e após a graduação, que a educação está, ainda, muito além de conceitos teóricos e de reflexões prontas. Não estou descartando aqui, com este pensamento, toda a produção cultural, historicamente construída em séculos, seja filosoficamente, na sociologia ou mesmo no desenvolvimento da educação através da sua história.

Em sua histórica trajetória, tivemos uma educação deturpada, atendendo os principais anseios políticos de sua época, não disposta a mudanças e não aberta a transformações e ao diálogo, preferindo, na maioria das vezes, um pensamento estático, ao abraçar conceitos meramente tradicionais.  

Atualmente, mesmo com o discurso “inovador”, de “reflexão”, de “democracia”, de “igualdade”, e mesmo com a tentativa de se desvencilhar de uma educação tradicional, a prática de nossas instituições se mostra totalmente contrária ao ilusório discurso político, que, por sua vez, exalta a necessidade de “mudanças”, do “diálogo” com a sociedade e de uma “pedagogia mais reflexiva” para a construção de uma “nova concepção educacional”.

As nossas instituições de ensino regular e, por consequência, a nossa atual educação são frutos de um pensamento político que se entranhou no desenvolvimento da prática educacional através de anos a fio, e que nada se aproximou dos anseios e necessidades das sociedades! Para a contribuição deste atual cenário, o investimento do aparelhamento educacional nas escolas, em termos de material humano, do material pedagógico e de metodologias que atendam o público necessitado de crescimento intelectual, espiritual e cientifico, nunca foi uma prioridade para os governantes que, em tese, deveriam ser os atores responsáveis por um investimento real em uma educação de qualidade e transformadora para o nosso país!

Nossa atual educação é dualista, excludente, assim como era e tem sido através dos séculos. De um lado, uma educação privada, frequentada por uma pequena parcela  da população abastada economicamente e, também, por uma outra parcela com alguma condição, muitas vezes, as duras penas, de patrocinar o próprio desenvolvimento educacional e de seus filhos. Do outro lado, uma educação pública depauperada, abandonada e moldada de acordo com os interesses de uma política não comprometida com o crescimento e com o desenvolvimento da sua sociedade, em sua maioria, as margens de um sistema político viciado em suas práticas “cordiais” - (evocando aqui Sérgio B. de Holanda) – sistema este responsável pelo esvanecimento dos setores públicos estratégicos para o nosso sistema educacional.

Queiramos ou não, quando escolhemos estes atores de forma inconsciente e despreocupada, acabamos todos como espectadores desta realidade, que em nada contribui para o desenvolvimento intelectual do nosso país! 

Bom, ao decidir relatar os 4 anos da minha graduação, pensava, naturalmente, contar sobre os meus encontros e desencontros, minhas alegrias e angustias durante esta trajetória. Mas, quando me dei conta, eu já estava falando sobre educação! Claro, para quem vive o dia a dia do ensino, após finalizar uma graduação, é praticamente impossível não realizar um balanço sobre a educação em nosso país, mesmo que brevemente.

Não, não é um momento para festa, mas para uma profunda reflexão sobre todo o aprendizado, e, de que forma podemos contribuir para uma real mudança, uma reformulação de fato em nossa educação, que possa romper verdadeiramente com este pensamento político estático, enraizado durante anos, que contribui diretamente para a inércia do desenvolvimento educacional como um todo em nossa sociedade!

Não, neste final não citarei algum pensador sobre a educação. Muito menos Piaget ou Rousseau, muito menos Aristóteles ou Durkheim, muito menos Dewey ou Morin, muito menos Freire ou Foucault. Apenas o silêncio, o dos inocentes. Mas, quais?

Por favor, uma pausa. Uma música para a transposição. O momento é dissonante, mas não de entrega!



Escrito por Marcello Tibiriçá.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Violão e Arte: Dica de Leitura!!!

Violão e Arte: Dica de Leitura!!!

Olá amigos!

Hoje eu trago pra vocês uma dica de leitura!

O livro Violão Ibérico, do jornalista espanhol Carlos Galilea, é uma leitura imprescindível para os amantes do violão e uma ótima leitura para aqueles que desejam conhecer mais sobre o instrumento!

O livro apresenta com riqueza de detalhes toda a trajetória do instrumento, com todas as suas peculiaridades e evolução, da Península Ibérica até o Brasil, com mais de 500 anos de história e curiosidades.

Grandes personalidades do cenário violonístico do passado e da atualidade, responsáveis pelo desenvolvimento do instrumento, são mostrados pelo autor de forma descontraída, com entrevistas, acontecimentos, através de um material rico em detalhes e informações.

Vale a pena a leitura! Para ler sem pressa e curtir passo a passo toda trajetória deste maravilhoso instrumento!

“Muito antes do surgimento do choro e da forma chorada de tocar, o violão já era um instrumento popular que acumulava uma grande participação em todo tipo de música feita fora das elites. Estava sempre presente no acompanhamento das serenatas, dos lundus, das cançonetas, nas música dos barbeiros.”  (Henrique Cazes – livro Violão Ibérico – capítulo 9).


Postado por Marcello Tibiriçá.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Violão e Arte: Abertura do Movimento Violão Sinfônico 2015!!!

Violão e Arte: Abertura do Movimento Violão Sinfônico 2015!!!

Olá amigos!

Na quarta-feira, dia 11 de março, presenciei a abertura do Movimento Violão Sinfônico 2015, ocorrido no Sesc Vila Mariana, onde a Violonista e Professora da Unesp Gisela Nogueira foi a solista convidada, interpretando o Concerto para violão e pequena orquestra, que o Compositor, instrumentista e Professor Achille Guido Picchi escreveu em sua homenagem. 

Acompanhada pela Orquestra Metropolitana, regida pelo Maestro Rodrigo Vitta, a noite a qual a solista foi homenageada com o Concerto escrito pelo seu professor, também rendeu homenagens aos compositores com suas obras inéditas para orquestra e violão.

Gisela Nogueira é Mestre pelo Royal Northern College of Music, e vem desenvolvendo já algum tempo uma pesquisa na área de Cordas Dedilhadas e Performance. A violonista também é especializada na técnica do instrumento Viola de Arame, tendo participado da documentação fonográfica da música brasileira dos séculos XVIII e XIX.

Na primeira parte do Concerto, a musicista interpretou um repertório do período Barroco, escrito para cordas dedilhadas, sendo as duas primeiras peças dos compositores Johannes Hieronymus Kapsberger e Antonio de Santa Cruz respectivamente. Aqui, com sua viola de arame, Gisela nos presenteou com uma interpretação rica em sutilezas, ornamentações e rasgueados característicos da época para o instrumento. Uma linda sonoridade, com um brilho e coloridos foram propagados pela concertista e sua viola de arame, resgatando uma época histórica, onde a música marcava o seu encontro com plateias exigentes e especializadas. 

Ao lado da também convidada, harpista e musicista Silvia Ricardino, o concerto de Gisela Nogueira, agora com a grata surpresa de uma formação em duo de viola de arame e harpa celta, segue com a riqueza de repertório dos compositores Santiago de Murcia, Gaspar Sanz e Silvius Leopold Weiss.

“Era muito comum no período Barroco a formação musical de Harpas com outros instrumentos de cordas dedilhadas” - nos contou a solista – e, desta forma, presenciamos a atmosfera musical desta época, com todo o brilhantismo e musicalidade expressados pelas musicistas!

A segunda parte do Concerto se inicia com a Orquestra Metropolitana interpretando Paisagens Brasileiras nº5 – Rio São Francisco – do Maestro, Compositor e Pianista Rodrigo Vitta, escrito especialmente para a Abertura do Movimento Violão Sinfônico 2015. A composição é inspirada no motivo temático do Concerto Aranjuez, do compositor espanhol Joachim Rodrigo. Uma belíssima obra, com uma orquestração lindíssima, onde o romantismo, aliado aos coloridos sonoros e às variadas tessituras fazem uma alusão à natureza brasileira. 

Fechando o primeiro concerto da temporada do Movimento Violão Sinfônico 2015, que tem como diretor artístico o violonista e mentor do projeto Paulo Martelli, a Solista Gisela Nogueira retorna ao palco para interpretar o Concertino para violão e pequena orquestra, do compositor, instrumentista e professor Achille Guido Picchi. Possuindo apenas um movimento, o Concerto visa ressaltar o virtuosismo do instrumento, através de uma linha melódica diferenciada. 

Desta forma, dentro de uma estética universal, o Concertino para violão e pequena orquestra não se aproxima de nada que faça referência à música popular ou folclórica, não despertando, assim, quaisquer imagens encontradas no mundo visual. 

Foi uma bela noite de estreias, homenagens, novidades e muito boa música!


Mais sobre Gisela Nogueira:


Mais sobre o movimento violão e próximos concertos:



Escrito por Marcello Tibiriçá.

domingo, 1 de março de 2015

Vestes da madrugada...

Vestes da madrugada...

Porque o espirito que sopra é uma noite que acalanta sobre o quebrantar de todas as vestes...

Onde somente despidos de todas as sensações nos enternecemos da vida...

Quando se é puro avivamento!

Ao romper do dia, ao cantar do ventre
Ao brotar da terra, semear constante...

Porque é lida afora, porque o amor há dentro
Porque a busca é santa e a palavra insiste

Ao dizer calado, ao ouvir sentindo
Porque a fé exala em oração...  pedido...

E se ao tocar marcado, o pulsar resiste
E se ao contar colado, o soprar se abriu...
É que a dança é lenta, e o andar? Retido.
Onde a fala é branda, só olhar contido...

Mas se a alma é santa e o coração recanta
E se o tempo é gente e, se ao voltar...  partiu...

Quero o quebranto das vestes e incertezas despidas
Sou o sopro do ventre, acalanto ao sonhar...
Quero o coração gente, enternecido da vida!
Sou o brotar da semente, avivamento, amar... 

Escrito por Marcello Tibiriçá.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

2 anos de Poética Musical, Violão e Arte!!!

2 anos de Poética Musical, Violão e Arte!!!

Quando decidi criar o Poética Musical, Violão e Arte, foi pensando em proporcionar, além da sala de aula, um novo elo de comunicação com os meus alunos de música!

Neste blog, o espaço dedicado a eles, passou também, de forma natural, a se estender às pessoas que não tem o estudo do violão ou da música no seu dia a dia. 

Por isso, optei em não encher o blog com exercícios e textos teóricos e, diga-se de passagem, que o objetivo do mesmo não são as aulas que exerço nas salas do Conservatório. Também é importante dizer que o Poética não foi idealizado para plateias especializadas no violão ou em música, pois, para este fim, existe um número considerável de blogs e fóruns.

A intenção do Poética Musical é através de uma conversa com os amigos leitores proporcionar conhecimento, arte, história e contribuições do violão como um instrumento que evoluiu através dos séculos, e que hoje se perpetua como um dos instrumentos mais queridos e um dos mais escolhidos pelas pessoas. A comunicação se concretiza de forma sintética, mas, com didática, proporcionando pedagogicamente aos leitores uma aproximação da leitura. 

Além da minha formação musical (que continua infinitamente), optei também por uma formação pedagógica, e hoje, percebo a importância da minha escolha, ao passo que o pensar de forma organizada e o planejamento pedagógico se desvelam de forma clara e natural no meu dia a dia na sala de aula, na estruturação do curso de música e instrumento para cada aluno em particular e nas ideias apresentadas aqui no blog. 

Nestes 2 anos, além dos textos didáticos, voltados para os meus alunos de violão, o leitor também encontrará textos que abordam sobre a educação musical nas escolas do ensino regular, dicas de literatura musical, algumas poesias, eventos, e textos sobre alguns autores importantes para o desenvolvimento do violão.           

A partir de Dezembro de 2014, passei a discorrer sobre as apresentações musicais, recitais e concertos que porventura eu tenha assistido. Em 2015 em diante, espero compartilhar mais sobre os eventos musicais os quais eu venha assistir! 

Cursos, encontros, palestras, workshops e todo o conhecimento atualizado também serão compartilhados!


Obrigado por participar do Poética Musical, Violão e Arte!
Acompanhe e Compartilhe!!!

É isso! Bem-vindo ao Poética Musical, Violão e Arte! 

Obrigado por fazer parte destes 2 anos iniciais do Blog, com a certeza de que estaremos juntos, trocando, participando e compartilhando sobre este universo tão pequeno, mas tão enorme na vontade de realiza-lo!!! 

Parabéns aos amigos leitores, parabéns ao Poética!!! 

Escrito por Marcello Tibiriçá.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Antes das avaliações: planejamento, organização e disciplina!!!

Antes das avaliações: planejamento, organização e disciplina!!!

Olá amigos!


É natural que as avaliações de prática de instrumento ou de canto sejam uma preocupação frequente entre os alunos de Conservatórios e Escolas de Música. Pensando nisso, elaborei alguns procedimentos que, se seguidos de forma disciplinada pelo discente, poderão ser de grande utilidade, possibilitando, desta forma, algum resultado, senão o melhor, ao menos mais satisfatório quanto ao rendimento no dia da avaliação.


Porém, é importante frisar que resultados positivos quanto aos procedimentos só poderão se concretizar se durante o trimestre ou semestre das aulas regulares o aluno seguir um planejamento de estudo, de forma disciplinada e organizada com a orientação do professor!!!

Então, vamos lá!!!


• O planejamento e a organização do estudo diário do instrumento ou de canto devem ocorrer desde o primeiro dia de aula, com a orientação do professor de música.



• É fundamental que o aluno entenda a importância da disciplina em relação aos estudos diários. A melhor forma de se obter bons resultados é o compromisso assumido por ele quanto a este quesito, de forma natural.  



• Sem disciplina não existem resultados satisfatórios, muito menos sucesso.



• Todas as dúvidas surgidas durante as aulas precisam ser sanadas com o professor. Procure não levar dúvidas para casa.



• Durante o estudo diário do instrumento, é imprescindível que o aluno faça uma marcação nos trechos que mais tenha dificuldade, sobre as músicas, estudos ou peças musicais. As marcações precisam ser mostradas ao professor, que, por sua vez, auxiliará em sanar as dificuldades técnicas ou interpretativas. 



• O resultado satisfatório com o repertório musical é a soma dos dias estudados de forma organizada e disciplinada pelo aluno. Portanto, não deixe para a última hora ou véspera da avaliação. Estudar na véspera da aula ou avaliação só causará um desgaste insatisfatório. 



• Procure, na medida do possível, estar bem alimentado e descansado antes de estudar. Não se esqueça de ingerir muita água nos dias de calor para a hidratação. Afinal, tocar um instrumento também requer um esforço físico, além de mental.  



• Se o seu instrumento é da família das cordas, e se houver a necessidade de mudança das mesmas para a avaliação, não deixe para a última hora. Procure trocá-las com duas semanas ou mais de antecedência. Assim, haverá um tempo maior para o ajustamento da tensão das mesmas e, consequentemente, para a manutenção da afinação. 



• Após a decisão do repertório a ser apresentado na avaliação, procure tocá-lo para os familiares e amigos, fazendo assim uma prévia de possíveis situações positivas ou não desejadas. 



• Na semana que antecede a avaliação, foque o estudo somente no repertório e na matéria que apresentará, mantendo o mesmo planejamento de horários, organização e disciplina. Procure realizar a passagem do repertório mentalmente, com todos os movimentos de forma lenta, recordando, desta forma, toda a memória digital apreendida no instrumento.    



• No dia anterior à avaliação não haverá a necessidade de se alongar no estudo prático, já que o aluno, durante o trimestre ou semestre de aulas, seguiu todo o planejamento, organização e disciplina de estudos. Ainda na véspera, evite esforços físicos desnecessários, não se esquecendo de hidratar-se e alimentar-se adequadamente. Neste dia, procure dormir mais cedo do que está acostumado, alongando, assim, o tempo de descanso.



• Por fim, recomendo também a leitura dos textos Violão: Preparação para o Estudo, de Fevereiro de 2013 e, Violão: Concentração no Estudo, de Setembro de 2013. 



É isso!!! Bom semestre de estudos e uma ótima avaliação!!!

Escrito por Marcello Tibiriçá.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Feliz 2015!!!

Peace
FELIZ 2015!!!
  
        Glückliches Neue Jahr

 Godt Nytår

 Feliz Año Nuevo
                                                                             
 Srečno novo leto
           
  Feliĉigan Novan Jaro

Bonne Année
Feliz Aninovo        
Shaná Tová

 Felice Anno Nuovo


明けましておめでとうございます(akemashite omedetou gozaimasu)


 Счастливого Нового Года {Schastlivovo Novovo Goda}


 Честита Нова Година /Chestita Nova Godina/

Gott nytt år

Bon any nou!!

Happy New Year!!!

   FELIZ ANO NOVO!!!  




Obrigado por participar do Poética Musical, Violão e Arte
Acompanhe e compartilhe!!!


Postado por Marcello Tibiriçá.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Dezembro...

Dezembro...

Dezembro desacelerado 
Respirado... 
Alongado...

Momento de abraçar
Meditar...
Refletir...

Escolher e tocar
Para ouvir... 
Se envolver...

É o que lhe faz bem...
E sentir outra vez...

Preparar em silêncio
O agora, o amanhã...
Receber com verdade, aceitando o viver...

Quando a saudade reclama...
E se não voltar mais...
É que o tempo sedento transbordou ao partir...

Mas se o coração pulsa
Vibrando, querendo...
E se estórias existem, e persisto em dizer...

É que as marcas de “lutas”
Que por instantes divergem...
São da vontade que arde em ver, em ficar...

É Dezembro calado e um pouco contido...
É a luz que enobrece 
E cansar quero ser...

É a voz que enternece
E o olhar que procura...
É a prece do leito, do amar e da busca... 

É abraço apertado, do seu jeito contado... 
É Dezembro embrulhado...
É o amor, sou você!!!

(À minha mãezinha Helena, com carinho).

Escrito por Marcello Tibiriçá.

sábado, 29 de novembro de 2014

Poética Musical: Fábio Zanon no Movimento Violão!!!

Poética Musical: Fábio Zanon no Movimento Violão!!!

Seria insuficiente qualquer superlativo para qualificar o concerto do genial violonista Fábio Zanon, ocorrido no Sesc Consolação, na noite de 28/11/14, pelo Movimento Violão, projeto este que comemora 11 anos de existência e tem como mentor o violonista, diretor e produtor Paulo Martelli.

As palavras de Zanon, ao final do concerto: “...O Movimento Violão deveria ser chamado Monumento Violão”. Ao expressar esse pensamento, o concertista mostrou a importância do projeto em levar pessoas compromissadas e do mais alto patamar do instrumento nacional e internacional. Zanon, em uma noite esplendorosa e inesquecível, presenteou a todos com um dos maiores recitais de violão de todos os tempos!!! Em estado de Graça, o qual todos ficamos, e, talvez, é bem verdade que a expressão seja pouco para mostrar um momento tão magistral!!!

Na primeira parte do concerto, as Seis Lições para teclado, do compositor britânico Henry Purcell, transcritas para violão, com uma extensa e riquíssima ornamentação e, com um grau de dificuldade altíssima para a execução, anunciou o “êxtase” que se seguiria mais à frente. Em seguida, nas palavras do violonista: “o Frankenstein” criado pelo compositor mexicano Manuel Ponce, pelo mais alto grau de erudição na escrita e, exigindo grande resistência do concertista, também por sua longa duração, as Variações sobre Folia de Espanha e Fuga elevou a platéia à uma espécie de transe, com uma interpretação extraordinária de Zanon , fazendo jus ao “monstro” criado pelo  compositor. 

Após o intervalo e a recuperação momentânea da platéia pelo impacto inicial, a segunda parte se inicia com o lindíssimo Prelúdio, Fuga e Allegro, BWV998, do compositor barroco Johann Sebastian Bach. Aqui, Zanon nos legou um Bach “expressivo”, com algumas nuanças da ornamentação estilística barroca e, em alguns momentos com um lírico improviso ornamental do violonista. A seguir, as Danças Espanholas 4 e 5, e a belíssima La Maja de Goya, do compositor espanhol Enrique Granados, nos remeteu à um cenário riquíssimo de sonoridades e cores, através de um lirismo romântico e calor interpretativos por parte do Concertista.





Em um final apoteótico, a técnica de Zanon sobrou de forma magistral nos Estudos 4 e 9 do compositor brasileiro Francisco Mignone e, voltando ao palco após um bis acalorado, passeia facilmente por toda virtuosidade exigida e a rítmica de Bate-Coxa, do violonista brasileiro e compositor Marco Pereira.  

Para quem esteve nesta grande noite de lirismo e poesia violonística, além de ser agraciado com a Música e o Violão de Fábio Zanon, também foi presenteado historicamente com o que podemos chamar de a enciclopédia viva do violão, onde, o violonista, com o seu preciso poder de retórica nos mostrou um pouco da trajetória dos compositores e suas respectivas composições!!! 
Para quem ainda não teve o privilégio de assistir Zanon, vale a pena cada minuto e cada segundo de apreciação do Concerto do Violonista!!!

Foi uma noite realmente memorável!!!

Fábio Zanon recentemente foi eleito com o título de Fellow da Royal Academy of Music, premiação esta conferida a ex-alunos que tenham desenvolvido uma carreira significativa como músicos, musicólogos ou professores.

Mais sobre Fábio Zanon, leia: http://aadv.alotspace.com/bio.html


Escrito por Marcello Tibiriçá.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel de Barros: A Poesia!!!

Manoel de Barros: A Poesia!!!

Hoje, um dos nossos maiores poetas fez a sua passagem. Na sua luminosidade e incompletude, além de tantos outros belos poemas, nos deixou este, que expressa o poeta por ele mesmo!!! 

Penso que talvez eu não tenha lido um pensamento tão incrivelmente pedagógico, expressado como ao que se segue neste poema!!! 




"A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, 

que puxa válvulas, que olha o relógio, 
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis, 
que vê a uva etc. etc.

Perdoai

Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."

(Manoel de Barros).



Postado por Marcello Tibiriçá.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Folclore no Ensino Musical!!!

O Folclore no Ensino Musical!!!
(Pluralidade cultural, pedagogia reflexiva e música).

Para o professor, a necessidade em se trabalhar a pluralidade e os elementos culturais na educação em nossos dias, seja no ensino regular ou musical, se torna cada vez mais um compromisso a ser cumprido, ao passo que o educador, no momento o qual decide por elaborar um currículo, onde a diversidade cultural esteja presente nas atividades dos alunos, precisará de forma diversificada utilizar os mais variados recursos disponíveis para o processo educacional como um todo.

O folclore brasileiro e universal é uma das manifestações onde a pluralidade cultural se permeia através dos costumes dos mais variados e de regiões das mais diversas do nosso país e do mundo!  Tem suas origens nas mais variadas festas populares, nos costumes e na cultura das mais diferentes regiões e nações, estando presente nas festas dos povos em diferentes datas do nosso calendário. Em outros momentos, foi objeto de pesquisa e de estudo por importantes compositores, com destaque ao nosso Heitor Villa-Lobos e os húngaros Béla Bartók e Zoltán Kodály. Como parte imprescindível da formação cultural das crianças, ele está presente nas escolas com a sua inserção através dos Parâmetros Curriculares Nacionais, ainda muito cedo, a partir dos jogos, das cantigas, das parlendas, dos desenhos, das comemorações festivas, enfim, recriando o universo infantil de forma lúdica e enriquecendo o mundo da criança em sua imaginação e criatividade!!!

Esses conhecimentos plurais e culturais adquiridos pela criança desde muito cedo no seu dia a dia escolar podem ser educados e trabalhados musicalmente, ampliando assim o seu repertório cultural musical, através de novos recursos metodológicos e pedagógicos ministrados pelo professor de música. Na aula de instrumento musical ou de canto, o professor, ao utilizar a riqueza de elementos culturais que a criança possui através da sua experiência de vida, poderá proporcionar à mesma um contato com os primeiros ritmos, melodias ou acordes de forma organizada e lúdica, a partir de metodologias que favoreçam o processo de ensino e aprendizagem, respeitando assim sua etapa inicial de adaptação com o novo instrumento, com os novos elementos musicais, através de uma linguagem familiar .

Em “Antropologia, cotidiano e educação.” Rio de Janeiro: IMAGO, 1990a autora do livro, Pedagoga e Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, Maria Cecília Sanchez Teixeira nos mostra que o “professor deve desenvolver uma visão perspicaz e sensível sobre a cultura escolar, olhando nos olhos do aluno e ouvindo aquilo o que ele tem a dizer.” Da mesma forma, um dos nossos maiores pedagogos, o Educador Paulo Freire, defendia um ensino através do diálogo, da pluralidade cultural, do respeito às individualidades, da democracia e de uma educação emancipadora, onde o aluno pudesse expressar seu pensamento, seus sentimentos. 

Acreditar em um ensino musical desta forma é redimensionar elementos pedagógicos através de uma atividade musical plural, onde a individualidade de cada aprendiz possa ser parte da coletividade. Sendo assim, a não uniformização de conceitos, uma pedagogia reflexiva através da criticidade, da pluralidade e da diversidade curricular se faz necessário em nossos dias, ampliando as possibilidades de aprendizado através da riqueza cultural existente em nosso país e no mundo! 


O folclore, com as suas multiplicidades regionais, é um elemento importante do nosso passado, do presente e de formação cultural do ser humano para o futuro. Da mesma importância que é a herança deixada pela história da música ocidental em todas as suas épocas, como a música do Renascimento, do Barroco, do Classicismo, do Romantismo, do Nacionalismo, do Jazz ou das correntes do Século XX, a música folclórica, como manifestação de expressão livre dos povos, é um elemento catalisador dentro do processo de aprendizado da criança, no momento o qual o mesmo se cria, se transforma e se multiplica enquanto educação musical.

Em uma de suas citações, o nosso grande Maestro e Compositor Heitor Villa-Lobos expressou: “A música folclórica é a expansão, o desenvolvimento livre do próprio povo expresso pelo som”.    

Caberá então ao Professor de Música da nossa atualidade escolher em qual momento e, de que maneira inserir no currículo de ensino musical esse elemento cultural tão rico e tão importante em nossa sociedade, ao passo que uma herança musical que se manifeste através da expressão livre dos povos possa se permear de forma a perpetuar-se e transformar-se através de uma pedagogia reflexiva, diversificada e transformadora, onde professor e alunos interajam através do diálogo, do ritmo, da melodia, da harmonia, da expressão e da música.

Escrito por Marcello Tibiriçá.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Música e Literatura!!!

Música e Literatura!!!



Olá amigos! Sempre acreditei e compartilho do pensamento o qual todo instrumentista precisa ouvir e conhecer outros instrumentos, outros repertórios, além do seu!!! Com a literatura musical não poderá ser diferente, portanto, gostaria de compartilhar aqui algumas referências literárias que, acredito, possam servir aos meus alunos e aos leitores interessados no assunto. 




É isso, espero que aproveitem!!! Boa leitura!!!

- Música, Doce Música – Mário de Andrade

- Pequena História da Música – Mário de Andrade

- História da Música Ocidental – Donalt J. Grout / Claude V. Palisca

- História da Música Popular Brasileira – José Ramos Tinhorão

- O Discurso dos Sons – Nikolaus Harnoncourt

- A Música Moderna – Paul Griffiths

- Villa-Lobos – O Homem e a Obra – Vasco Mariz

- O Triunfo da Música – Tim Blanning

- O Ouvido Pensante – M. Schaffer

- História do Jazz – José Duarte

- História Social do Jazz – Eric J. Hobsbawm

- Música Clássica – Guia Ilustrado Zahar – John Burrows

- Reflexões e Práticas sobre uma Filosofia da Pedagogia Musical – Júlio Stateri

- Violão – Um Olhar Pedagógico – Henrique Pinto

- Cuidar de Pessoas e Música – Eliseth Ribeiro Leão

- Escola e Educação Musical – Rita Fucci-Amato

- Música na Escola – Hans Günther Bastian

- O Ensino de Música na Escola Fundamental – Alicia Maria A. Loureiro

- Musicalizando a Escola – Carlos Eduardo de Souza Campos Granja

- Música para Crianças – Ciranda Cultural – Vários autores

- Uma Breve História da Música – Roy Bennett

- Violões do Brasil – Myriam Taubkin

- A República – Platão – Tradução: Pietro Nassetti – Martin Claret

- Interpretação Musical – A dimensão recriadora da “comunicação” poética – Marília Laboissière

- Dicionário de Termos e Expressões da Música – Henrique Autran Dourado


Escrito por Marcello Tibiriçá.